sem saber do que
mas nas noites eu me livro
e nada mais exige por quê
"O que me importa
Seu carinho agora
Se é muito tarde
Para amar você...
O que me importa
Se você me adora
Se já não há razão
Prá lhe querer...
O que me importa
Ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
Você nem mesmo soube dar
Amor!...
O que me importa
Ver você chorando
Se tantas vezes
Eu chorei também...
O que me importa
Sua voz chamando
Se prá você jamais
Eu fui alguém...
O que me importa
Essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar tem mais
Tristezas prá chorar
Que o seu!...
O que me importa
Ver você tão triste
Se triste fui
E você nem ligou...
"Eu me lembro
de você ter falado
Alguma coisa sobre mim
E logo hoje, tudo isso vem à tona
E me parece cair como uma luva
Agora, num dia em que eu choro
Eu tô chovendo muito mais do que lá fora
Lá fora é só água caindo
Enquanto aqui dentro, cai a chuva
E quanto ao que você me disse
Eu me lembro sorrindo
Vendo você tão séria
Tentar me enquadrar, se sou isso
Ou se sou aquilo
E acabar indignada, me achando totalmente impossível
E talvez seja apenas isso:
Chovendo por dentro
Impossível por fora
Eu me lembro de você descontrolada
Tentando se explicar
Como é que a gente pode ser tanta coisa indefinível
Tanta coisa diferente
Sem saber que a beleza de tudo
É a certeza de nada
E que o talvez torne a vida um pouco mais atraente
E talvez, a chuva, o cinza,
O medo, a vida, sejam como eu
Ou talvez , porque você esteja de repente,
Assistindo muita televisão
E como um deus que não se vence nunca
O seu olhar não consegue perceber
Como uma chuva, uma tristeza, podem ser uma beleza
E o frio, uma delicada forma
De calor"
[Lobão]
Nunca poderei ser em vão, passar em vão, sentir em vão, estar em vão.
Eu preciso compreender, antes que o que me reste seja um vão na alma,
um vácuo nas horas que tira o fôlego e o sentido das coisas.
Minha harmonia não suporta concessões;
Meu equilíbrio não cabe nas faltas;
Minha liberdade não se encaixa imposições.
Aprendo a adequar as coisas que posso mudar aos acontecimentos da vida, às necessidades do espírito.
Minha felicidade não tem regras.
"Não discuto com o destino
o que pintar eu assino". (Paulo Leminski)
Porque eu errei, eu causei, eu quis. Ou porque eu evitei, eu não resisti, não me importei, esqueci.
Todos somos culpados na vida e muitos nos arrependemos. Porém a culpa é única, indivizível. Arrependimento não vale a pena.
Apenas pela beleza poética:
"'Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!' E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?'
E eu vos direi: 'Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas'".
Se houve alguma coisa de diferente nessa última passagem de ano, foi a minha completa desnecessidade de me planejar para os próximos meses. É como se eu tivesse me desligado do futuro e entendido, de nenhuma forma concreta, que o melhor a fazer é se entregar ao presente. A continuação não é feita a cada mês ou ano, mas num dia após o outro.
Acho que também entendi, ainda sem nenhuma concretização, que o tal algo de ausente que me atormenta não passa de algum canto mal interpretado de minha inconsciencia. E que, mesmo jurando o contrário, o importante é tentar me preocupar menos.
Além de qualquer suposição, descobri que os acontecimentos são inconcretos e é impossível definir, moldar, acabar. Chegar a uma verdader absoluta.
Necessária é a libertação, sempre. Meus momentos mais felizes foram os mais simples e tomados de liberdade. Isso é o desprendimento, a abstração dos sentimentos.
Então, se há uma nova luz em minha frente, ela conduz a além do resgate da paz... a ir mais longe.