sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

OU NÃO.

Podemos nos acostumar a qualquer vida. Algumas vezes podemos escolher, outras, é o acaso que nos escolhe. Acontece.

Acostumar, no entanto, não é estagnar, se submeter, render. Não é ignorar. Pode até ser se acomodar, afinal, é preciso um pouco disso; de uma certa paz, um momento de conforto.
Seria alcançar uma convivência saudável... O que não significa buscar um meio termo para o todo. Ninguém merece uma vida morna.

Acostumar é conseguir focar nos melhores termos. Assim, amansamos as dores e vivemos as emoções com o furor que cada uma demanda.

Acostumar depende de atitudes constantes. Pois a inércia é um costume da não-vida. É submissão. Aceitar empurrar pedras montanha acima e eternamente vê-las rolar montanha abaixo. Não se acostumar é viver num inferno grego. É infrutífero.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Apenas uma janela sem estrelas...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

FOGO

É preciso conhecer de queimaduras para jogar com o fogo. Por isso que muleques bem doutrinados devem manter-se longe. Quando um arrisca se aproximar da chama, incendeia até virar cinzas ou sai assustado com o calor.

Chegou aos vinte e poucos sem nunca ter gostado de comer alguma mulher. Duvidou da própria masculinidade, pensou que era bicha. Até cogitou experimentar outra fruta... Mas se endurecia todo com qualquer bunda em pé que passasse, com toda voz feminina que sussurrasse em seu ouvido ou com um toque mais delicado em sua nuca. Por homem não sentia essas coisas carnais, de instinto e arrepio.

Por tão poucas tentativas de gostar, não as ousa contabilizar. Decidiu buscar pelo sexo hétero e lento. Ao seu tempo e modo. E fingiu pirofagia sem saber se queimar. Era só fumaça.

Investiu em terreno conhecido e, com cautela, descobria o que havia entre os contornos dos sorrisos, por trás dos cabelos, nos detalhes dos olhos, até por baixo dos panos... Mas demorou para despencar dentro.

Na beira do abismo, quase caindo, hesitou, parou tudo. As coisas aconteciam rápido demais para ele, por mais que demorassem mais que o comum. No entanto, apesar do fogo não ter se apagado, não o deixaria impune. Na ocasião seguinte, a chama o engoliu morno; teve pena de arder o garoto.

Poderia te-lo consumido, e depois deixa-lo voltar das cinzas, devagar como ele. Seria uma lição e tanto sobre brincar com chamas... Mas fogo sabe do seu calor. Fazer-se brando sem promessas foi uma chance sem futuro. Um desafio da mais alta simplicidade, daquele que só encara quem se faz fogo também.

E ele correu, assustado. O medo desfez sua pirofagia de festim. Talvez tenha levado consigo uma brasa... do tamanho que consegue suportar. Enfim, acha que gosta de comer mulher. Mas ele sabe, como o instinto menino o fez saber, que nunca terá convicção se não deixar-se queimar.

“(…) E, aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.”
[Manoel de Barros]



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ATO

Foi vista bebendo gin. Comprou o que restava da garrafa e depositou-se sem pressa no banco alto do lado de fora. O boteco não tinha o privilégio da esquina. Ficava entre lojas que só se revelam durante o dia. Sua solidão era dividida com a daqueles que há muito aceitaram sua perdição. Talvez uma puta e seu cliente na mesa ao lado. Martini e whisky barato. O cara do balcão deve ser viciado em crack em seu momento alcoólatra. Em pé, o velho é daqueles boêmios que viu as noites se transformarem com os anos... e a sujeira permanecer. Ela compunha o cenário destoante. Mas não julgou. Sequer notou.

Depois de esquecer, andou até aonde a música lhe puxou. Suou todas as suas lágrimas. Recompôs-se com a dose dupla de vodka com energético. A primeira foi quase toda para o corpo, literalmente. A segunda foi para a alma, caso houvesse alguma. Tirou a blusa e, do alto, dividiu o público com a dúzia de sedentos ao seu lado.

Conquistou um grupo gay do qual recebeu goles de água especialmente cristalizada. Então suou mais, e desceu mais... até um darkroom. Não havia lugar melhor para confrontar seus demônios do que no escuro, o que guarda seus medos. Delirou.
Quando emergiu, viu que na saída havia luz... Já? Que breve o breu.
Juntou-se, vestiu os óculos escuros, e partiu... Desde então, não foi mais vista.

O desamor encerra o encanto
Estava à procura disto quando desligou o telefone.
De encantar-se...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

VI
VENDO

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

À IRA

"Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!"


"Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safira,
Soa no ar uma invisível lira…
O sol é um doente a enlanguescer…

A vaga estende os braços a suster,
Numa dor de revolta cheia de ira,
A doirada cabeça que delira
Num último suspiro, a estremecer!

O sol morreu…e veste luto o mar…
E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,
À flor das ondas, num lençol de espuma.

As minhas Ilusões, doce tesoiro,
Também as vi levar em uma urna de oiro,
No mar da Vida, assim…uma por uma…"


[Florbela Espanca]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

OLHOS FECHADOS

Descobri que tenho sido uma desiquilibrada. Uma fanática e obssessiva. Uma fora de mim. Fantasiosa. A louca.
Eu me perdi na queda livre. Quase me parti. Quando nada mais se encaixou nos sentidos, suspendi.

"O que vocês diriam dessa coisa
Que não dá mais pé?
O que vocês fariam pra sair desta maré?
O que era sonho vira terra"
Tudo parou. Fechei os olhos, encobri a visão do coração com pureza. E pude começar a ver.
Em breve, quem sabe, poderei abrir os olhos e seguir com a simplicidade de nada ansiar. Estar em paz por ser amor da cabeça aos pés. Plena e dona de mim.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me restasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo..."

[Guimarães Rosa]

"Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca."
[Dom Quixote]

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

TSURU


Um para cada dia
Pelo sopro de
paz,
equilíbrio e liberdade
Sobre a ausência,
ardente em minhas horas

Para dar asas à saudade
e leveza à alma

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

RECORTES PASSADOS

"Não é isso, Túlio. Afastada de mim
A intenção de te causar tormento.
É o Tempo, amigo. E se me faço ampla
O inimigo atroz não me acompanha
Porque Túlio se faz, a cada dia, exíguo.
Deleitosa, caminho até a montanha
E tu te fechas, tíbio, pesadas anteportas
Emergem do passeio a que me obrigo.
Não é tormento, Túlio. Sempre te enganas.
É essa fome de ti, esse amor infinito
Palavra que se faz lava na garganta."


"Túlio, não me pertenço mais.
Nem as palavras agora me pertencem.
Antes, são tuas, alma e a palavra
E dura dentro de ti vou me fazendo
Medo e muralha,
E se quiseres posso ser convento
E calar o meu verso, alimentar meu tempo
De corredores vazios e rosários.
Túlio, só de te ouvir o nome, desfaleço.
E a alma que sabia a entendimento,
De si mesma não sabe, nem do gozo
De te amar, que conhecia.
E se a ti, Túlio, te pertenço, ai, nunca mais
Do amor vou conhecer minha alegria.
Hei de fazer-me triste à imagem tua:
Hei de ser pedra e areia, soberba e solidão
Montanha crua."


"E circulando lenta, a idéia, Túlio,
Foi se fazendo matéria no meu sangue.
A obsessão do tempo, o sedimento
Palpável, teu rosto sobre a idéia

Foi nascendo

E te sonhei na imensidão da noite
Como os irmãos no sonho se imaginam.
Jungidos, permanentes, necessários
E amantes, se assim se faz preciso.

Tocar em ti. Recriar castidade
Não me sabendo casta, ser voragem
Ser tua, e conhecendo

Ser extensão do mar na tua viagem."


"A idéia, Túlio, vai se fazendo rubra
À medida que vou te refazendo."


"A idéia, Túlio,
É na verdade tudo o que me resta."


"Soergo meu passado e meu futuro
E digo á boca do Tempo que os devore.
E degustando o êxito do Agora
A cada instante me vejo renascendo

E no teu rosto, Túlio, faz-se um Tempo

Imperecível, justo
Igual à hora primeira, nova, hora-menina
Quando se morde o fruto. Faz-se o Presente.
Translúcida me vejo na tua vida
Sem olhar para trás nem para frente:
Indescritível, recortada, fixa."


"E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência"


"Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta

Quando tu, Dionísio, não estás."


"Embriaguez da vontade, Túlio
Sangue buscando a veia
É o que me faz perpétua.
Estrela sobre a testa
E de poesia plena
Vou te buscando imensa.

Embriagues de vontade, Túlio,
E os oponentes:
Tua pouca ciência, desafeto,
Exata em mim, minha maturidade.

E haverá louvor e recompensa
Para o amor incansável do poeta.
Dentro da sua soberba
Brioso de eternidade

Túlio, de pedra."


"Ama-me. Desvaneço e suplico. Aos amantes é lícito
Vertigens e pedidos. E é tão grande a minha fome
Tão intenso o meu canto, tão flamante meu precalo tecido
Que o mundo inteiro, amor, há de cantar comigo"


"Entendimento fatal
Demasia do gosto
Devo morrer agora

Se não me tomas.

Coração-corpo
Tão dilatado
Pulsando espesso

Se não me tomas
Vai-se o compasso
Do meu bater."


"Ao invés de vida
Te mando o gosto
Do meu morrer."


"Túlio viaja. A sós. E o tempo passa.
Túlio nos ares, asa, e amplidão,
E o poeta morrendo, a sós, na casa,
O coração nos ares".


[Hilda Hilst, Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão]

sábado, 13 de novembro de 2010

ULTA PASSO

O próximo passo é correr.

Até chegar ao fim. Quando recuperar o fôlego, sentir a energia viva para recomeçar. E a cada novo passo, possa ultrapassar todas as dimensões passadas.


Passos, passadas, ultrapassadas, passagens, passeio, passado...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não me atrevo a escrever uma só linha sobre ele. Aquele que tenho medo de sufocar com toda a minha abstinência do êxtase que me causa. Não vou transformar em palavras a dor de me adaptar ao vazio, ao ambiente monocromático, avesso à minha natureza. Tampouco tentarei dividir minhas buscas malucas pela paz da rotina completa. Eu sigo, secreta e contraditória.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"A fome quando vem não dialoga
não faz yoga, não dança balé
A fome quando vem afoga
Não afaga, enfraquece a fé

A fome quando vem assola
Não brinca de roda nem faz cafuné
Não quer saber qual é a moda
Não se importa nem arreda o pé

Quando eu vejo você vem a fome
Bater na por lá de casa
Querendo saber
O que é que tem pra comer

Quem me olha, ignora
a panela vazia
Cheia de saudade
A verdade se encontra
Em cima da mesa
E o sol escorre através da peneira


A fome sem medida
A fome sem saída
Fome cega pra te ver
Fome do homem que é pura fome de viver"

[Em Nome da Fome, Maurício Baia]

terça-feira, 9 de novembro de 2010

RUBY

Minha cor preferida ainda é o azul, mas, como boa pisciana, inicio um ciclo vermelho.
Não resisto a doces, assim como aprecio os sabores suaves. Gosto de tempo fresco e de vento, mas acho ruim a falta de variação do clima. Sapatos têm que ser confortáveis, mas às vezes aperto o pé para subir no salto por umas horas... e sempre reclamo depois. Sou gulosa, para tudo. Não tenho grandes arrependimentos na vida, por mais que meus constantes impulsos me tornem uma errante convicta. Na verdade, não tenho tantas convicções assim. Mas o amor, os prazeres, as viagens, as vontades, a ternura, a felicidade e o engajamento sempre me moverão. Sou orgulhosa, teimosa, independente, mas sou humilde. Meu ego não é maior do que eu. Procuro colo, admito erros e compreendo as dores alheias, por mais que nunca as tenha sentido. Meu egoísmo é singelo, não prejudica, e meu altruísmo é amplo e atinge até quem não merece, mas me dedico a ser menos trouxa. Constatei que dignidade também é defender a si mesmo e cuidar para não ser vítima dos soberbos. Não gosto de desperdício e ser usada é desperdiçar minha energia. Já desperdicei muita energia e agora me empenho em reservar para mim o excesso dela. Ainda bem que o aprendizado existe. Aprender é infinito. Eu troco estabilidade por aprendizado. O certo pelo desconhecido. Toda novidade é uma chance, uma possibilidade de caminhos inéditos. Ineditismo não é tão raro, mas é incomum, difícil de alcançar. Não fica por aí dando sopa, mas às vezes dá dicas de sua existência nos acasos da vida. É preciso estar atento, mas também sempre vale a pena desfrutar da desatenção, da incosciência, para viver o inédito. O acaso guarda as melhores fatias da felicidade, mas na maior parte do tempo estamos buscando alguma coisa, constatando, explorando, fazendo acontecer. E isso também é essencial. Desaprender também faz parte da engrenagem. A maioria das coisas da vida podem ser mudadas, podem ganhar novas caras, delegações, significados. Até porque nada é absoluto. Tudo é multifacetado. Eu só faço o que eu quero. Se tenho que fazer algo que não quereria, trato logo de querer. Mas não consigo me lembrar de nada que fiz contra minha vontade.

"Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."
[Carlos Drummond de Andrade]

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ainda que as frases de minha rotina sejam singulares, minhas composições futuras surgem plurais, talvez pelo lirismo gratuito ou pelo sonho essencial...

Para o muito a dizer, não me sobram palavras. Consumidas pelos erros, de resto deixam as dúvidas. Verbos indiretos... nada se conjuga sem sujeito. As afirmações não resistem ao tempo, e as suposições vão longe, perseguindo o perdido pelos quilometros desmedidos do medo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DOIDA
doída

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Só quero o dia em que todos os dias a distância não dificulte a plenitude.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"Se acaso estás distante de mim
Só penso em te buscar
O tempo fica horas sem fim
A me martirizar
A minha sinfonia de amor
Sofre uma pausa de dor
A natureza fica parada
Só penso em ti, mais nada
Meu sofrimento na tua ausência
Faz de um segundo horas mortais
Minha alegria esquece as horas
Se junto a mim tu estás"

"Eu não me canso de correr
Pra ver você chegar
Largo tudo lá pra trás
Pra ver você chegar
Eu me desdobro em outras dez
Pra ver você chegar
Eu nem sei do que sou capaz
Pra ver você chegar
Sou tua fã, te admiro e deixo transparecer
O meu afã em cada suspiro
E não sei o que dizer
Mas quero crer que um artifício
Faça desaparecer
A distãncia entre nós pode ser um tom de voz, um beijo
Ela pode ser mínima
Como a que separa a boca da buchecha
Pode ser cósmica como a que separa o que eu quero do que você deixa!"

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cada promessa que jamais será cumprida
Uma desesperança

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

SOLIDÃO INVADIDA




Se eu não tivesse chegado em casa na noite passada, ninguém saberia. O provável, é que minha ausência começaria a ser sentida só depois das 14h, quando estivesse atrasada o suficiente para escrever a notícia de amanhã.

Ontem dirigi pela madrugada depois do rock à trabalho. "Ora quem é que não sabe o que é se sentir sozinho mais sozinho que um elevador vazio", a música embalava minha volta para casa.

O silêncio do estacionamento apressou meu passo e, quando me vi dentro do apartamento, passei a corrente e me tranquei. Alívio. Enfim, resguardada pelas paredes de meu próprio silêncio.

Tudo exatamente como deveria estar. Minha presença parada no tempo... Quebrada pelo espanto!

Meu vazio era parasitado! Mesmo que sorrateira, peguei no flagra a invasora de minha segurança.

Olhei para a barata, sei que ela me olhou. Após meu grito madrugal, a perseguição começou. E, antes que eu agisse, ela desbarateou por toda a sala.

"Vou te pegar, sua barata safada", avisei. Neste momento, ela tinha encontrado alguma brecha, mas nenhuma que eu não conhecesse.

Invadi todas elas com o veneno em spray, e não demorou para a cascorenta surgir à luz, agonizante.

Foi uma morte breve. Quase saciou meu orgulho - Não aceito ser esperada por uma barata.

No entanto, antes de recolher do chão o que restou da atrevida, tive de me contentar:
A solidão é intranquila. Resta-nos sonhá-la, enquanto o despertar não ocorre.

sábado, 18 de setembro de 2010

"Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito eu nada sinto"

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A saudade dói como a morte
só lhe falta o súbito
só lhe resta a esperança

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Idealizar é sofrer. Amar é surpreender." [M.M.]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego."

[Neruda]

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo"
[C.F.Abreu]

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Somos a recorrência do encontro
a ocorrência da partida
que afasta pelo espaço
e une pelo tempo