segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

DIA


Estava tao quente hoje. E tao bonito o clima de paz de todos pela cidade... praia, cerveja e sol.
So a musica que tocava não combinava com tudo. Eu pensava em que musica sugerir, lembrava de grupos e diferentes ritmos de meu agrado, mas nada parecia combinar. Foi quando desviei o pensamento, as lembranças e o sonho pra ele que veio o ritmo perfeito para tudo. Foi ele que deu um sentido para o reggae em meus ouvidos. Com esse ritmo, tudo estaria em uma sintonia perfeita! Mas não estava nem o reggae, nem ele... E eu me conformei com a dissonancia do momento.
Então, revestida dessa conformidade da qual aprendi a ser dona, peguei minha camera e sai sem musica alguma para andar e sentir o calor e o clima e a sintonia na praia da frente, onde molhei o pes nas ondas que se desfaziam, onde captei paisagens, onde sentei na areia e senti a brisa levar meus cabelos enquanto eu, de olhos fechados, soltava um sorriso espontaneo e realizava naquele momento toda a felicidade, a sintonia perfeita, que so e garantida quando temos a capacidade de sermos livremente de nos mesmos.
Depois levantei, dei as costas para o mar, e retornei para a dissonancia inevitavel que as ausencias me proporcionavam.
*acentuaçao ausente por teclado desconfigurado.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

"Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!"

sábado, 21 de fevereiro de 2009

TRÂNSITO

"(...)
é preciso partir
é preciso chegar...
Ah, como esta vida é urgente!...
no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas."
[Mário Quintana]
Foram tantas as viagens às estrelas
que definitivamente aprendi a partir,
A ter essa súbita vida transitória
de chegar...
de partir...
Foram tantas partidas e chegadas
que aprendi a aceitar a solidão,
A encarar essa fiel amiga presente
que vem...
que basta...
Mas é ele, quem tantas vezes me viu chegar,
que vai me ensinando a ficar
enquanto o vejo partir e chegar numa só ida,
num só lugar,
sem volta...
sem espera.
Aprendo a ficar...
Mas eu gosto mesmo é de partir.
Por isso, quem sabe,
nessa vida transitória
eu não faça da sua partida
miha chegada?!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Angústia. Perna inquieta, unhas roídas, pensamento frenético. Busca. Solução, decisão, certeza

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!”
(Florbela Espanca)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

VENTANIA E MINÚCIAS

Adoro mão no meu cabelo.
Dedos tocando a cabeça ou os fios de cabelo de leve, despretenciosamente.
Também gosto da mão toda. Pra massagem ou puxão.
Se a mão servir, eis o meu fraco.
Minhas mãos são compulsivas pelo meu cabelo. Nossa!

Chuva me faz bem.
O cheiro, os pingos iniciais no corpo e o barulho.
O barulho me dá uma sensação de fluidez tão natural que sinto a vida seguindo sem dor...
E tempestade? Trovão, céu poderoso. Anúncio.
Busco abrigo, espero e assisto. Nos sentidos mais profundos.

Sol é relativo.
Gosto do brilho, da luz... Tudo fica lindo ilumidado pelo sol!
Quando ele chega, quando está e quando vai embora. Sem ele não há cor.
Mas seu calor só me dá prazer uma vez: quando faz falta.

Eu gosto mesmo é de vento.
É movimento. É árvore balaçando, folha caindo colorindo o chão.
Descabela. É velocidade! Um dia terei um conversível só pra viajar com vento na cara, nas idéias.
Taí, vento é bom de verdade.
Nos cabelos prefiro vento que mãos.
Chuva é mais chuva com vento. É mais intensa, molha mais.
Na tempestade o vento é a sua voz que o anuncia...
E com sol?! Vento faz seu calor ser prazeroso mais que uma vez. Ameniza.
Vento é preciso!
Faz voar. Por isso gosto de vento.
Às vezes tudo do que precisamos em nossa vida é de uma boa rajada de vento...

Alguém divide comigo uma opinião:

"Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço." Luiz Gasparetto

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

DOS PRAZERES DE VOLTAR

"Um homem viaja o mundo à procura do que ele precisa e volta para casa para encontrar" George Moore

Saudades carrego comigo todo o tempo durante viagens. Mas chega o dia em que acordo, olho pela janela do quarto e realizo: tá na hora de voltar. É quando bate a saudade de verdade e sei que é a hora certa de regressar pra casa. Geralmente isso acontece justamente perto do dia em que o vôo está marcado ou coisas do tipo. Mas já tive muitas vezes em que precisei voltar antes dessa vontade acontecer, assim como a vontade de voltar e ter que esperar... Ambas situações são uma privação.
Tá na hora de voltar pra casa. Estou cheia de idéias, planos e coisas para por no lugar. Mudanças no ambiente, histórias para contar, coisas para arrumar... Tudo para guardar o novo ser. Quando tudo estiver no seu lugar aí sim poderei continuar, lutar, até chegar o novo desejo de partir.
Esses prazeres de voltar por enquanto só podem ser sentidos enquanto me imagino... Enquanto sinto a volta se aproximar. E agora, isso é prazeroso porque é mistério, assim como as partidas. Mas sei que ainda tenho decisões para tomar e mudanças a cometer quando me encontrar...

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais volta a seu tamanho original." Albert Einstein

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A DOUTRINA DO FIM

Tenho escutado muito sobre como se deve levar a vida. Ontem acompanhei minha amiga a uma missa católica em seu bairro aqui no México. Detesto participar dessas ocasiões, mas estar em contato com o que não creio e com o que é a opinião avessa à minha sempre faz brotar em mim bons argumentos e me faz mais convicta em que acredito.
O padre, muito piadista, diga-se de passagem, falava de como devemos lidar com as situções mundanas. Disse que devemos nos manter longe dos sentimentos do mundo, absorve-los o mínimo possível, porque esse mundo é passageiro. Assim, um casal não deve se encantar muito um com o outro porque mais cedo ou mais tarde um deles vai morrer, e aquele que ficar se sentirá desamasiadamente triste. Em resumo, segundo o padre e sua doutrina católica, não devemos mergulhar nas emoções do mundo, pois a vida aqui tem um fim. Logo, devemos dedicá-la a deus, porque é ao encontro dele que vamos- ou deveríamos ir- quando morremos.
A cada frase discordava cada vez mais do padre e me lembrava das múltiplas razões que tenho para não participar de nenhuma igreja ou religião. Isso vai contra minhas verdades. Segundo o padre, devemos dedicar nossa vida a deus... Viver intensamente uma paixão, conhecer as coisas do mundo, sofrer perdas e comemorar conquistas, sonhar e realizar-se na vida com o que o mundo tem a oferecer, viver a vida e todas essas coisas que devem nos fazer felizes e vividos são proibidas? O que fazemos aqui então?!
Isso tudo se encaixa perfeitamente no que falei há alguns posts atrás... Nossa vida se embasa em no que acreditamos... Há quem acredite no fim e quem acredite no começo. A igreja católica, como a maioria das igrejas, acredita no fim... Assim seus fiéis passam a vida esperando e temendo por ele.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Meus instintos não costumam falhar:
http://sentidosvagos.blogspot.com/2008/01/2008.html

O que o passado me reservou:
http://sentidosvagos.blogspot.com/2006/09/passarinha-muito-engraada.html

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Vou partir sozinha, sozinha de verdade... Sem saber quem se sentará ao meu lado no ônibus e sem nem se quer ter uma cama reservada no hotel. Uma cama para uma só pessoa, um quarto para a solidão. No entanto, apesar de essas palavras unitárias soarem tristes - porque a solidão soa triste?- estou revestida por uma felicidade incrível! Uma alegria de viver... Mais uma vez correr perigo... São tantos os perigos! São tantos os riscos! Que não posso viver sem corre-los. Não posso me privar, jamais! A solidão é minha amiga.

ENCONTRO

Ontem fui tocada pelo encantamento da realização. A plena sensação de estar vivendo algo que sonhei com muita alegria. É o sentimento extremo de estar vivendo a meu modo.
Depois de tudo, veio o cansaço físico e fechei os olhos enquanto o automóvel se movia para nosso regresso. Foi quando os abri novamente...
Era um entardecer lindo
um alaranjado vivo cortando
os muitos azuis que haviam no céu.
O pôr do sol sempre te traz para perto,
é como um encontro diário
com as lembranças
e com o amor.
É assim:
Os crepúsculos me lembram você,
que me ensinou a viver
a beleza das cores
que aparecem
entre o fim e o começo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

"Yo no creo que las márgenes de un río sufran por dejarlo correr.” Frida Kahlo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

INICIO

Mi historia empieza en los vuelos de los sueños más sensibles y sigue cuándo camino despierta sin olvidarme de los sueños, ni de los vuelos y tampoco de la sensibilidad.
Así vivo en un debut de vida constante con toda la alegría e intensidad de los inicios, con el amor que no conosce linmite y no quiere formar... quiere inundar lo que llega.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A REVOLUÇÃO DO NOVO

O novo ano me veio com um sutil passar de ponteiros sem especiais comemorações. Foi natural como nunca antes havia sido, mas não deixou de trazer planos concretos e esperanças ou um suspiro antes de dormir para a chegada do primeiro dia do ano.
Talvez esse toque fraco seja resultado da distância de muito do que já é meu... ou talvez tenha sucedido pela constância de novidades com a qual tenho vivido.
Em um ano novo ou não, o importante é esta época de conhecimento profundo do novo e do que sempre esteve por perto, apesar de impercepitível. Não é a toa que meus instintos me levam às viagens. Faz parte de mim. Preciso estar em contato com o desconhecido, com o perdido, com o perigo, com a desproteção, o mistério e com o até então intocável com mim.
Preciso às vezes me distanciar do que é meu por rotina. Como casa, trabalho, estudo, projetos em andamento... Os lugares e pensamentos que me vêm diariamente. Minha cama, meu lar que guarda as angústias e alegrias cotidianas. Estar fora do meu cotidiano me custa saudades... Não dos lugares e atividades rotineiras, estas não me provocam saudades, mas das pessoas, reais companheiras de vida, o maior caminho de todos.
Amigos, família, amor... estes seres que sempre serão um mistério e que são, cada um, lugares raros e capazes das mais profundas transformações, ensinamentos e de gerarem sentimentos únicos e imprevistos. Minhas maiores saudades sempre serão as pessoas conquistadas mutuamente... E a saudade até hoje me tem sido o mais doloroso e revolucionário sentimento.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Hemos perdido aún este crepúsculo.
Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.
He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.
A veces como una moneda se encendía
un pedazo de sol entre mis manos.
Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.
Entonces, dónde estabas?
Entre qué genes?
Diciendo qué palabras?
Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste, y te siento lejana?
Cayó el libro que siempre se toma en el crepúsculo,
y como un perro herido rodó a mis pies mi capa.
Siempre, siempre te alejas en las tardes hacia
donde el crepúsculo corre borrando estatuas.
[Pablo Neruda]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

BALANÇO

Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás... Quantos você ainda vê todo dia? Quantos você já não encontra mais? Faça uma lista dos sonhos que tinha... Quantos você desistiu de sonhar? Quantos amores jurados pra sempre... Quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece, na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora... Quantos mistérios que você sondava, quantos você conseguiu entender? Quantos defeitos sanados com o tempo, era o melhor que havia em você? Quantas mentiras você condenava, quantas você teve que cometer? Quantas canções que você não cantava, hoje assobia pra sobreviver... Quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber... Quantas pessoas que você amava, hoje acredita e amam você?
[Oswaldo Montenegro]

"Se já sofremos quando não declaramos o que nos incomoda, sofreremos o dobro se não declararmos o que nos alegra". - Fabrício Carpinejar

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

No ano passado...Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova. [Mário Quintana]

NÃO DEIXE A VIDA PRA DEPOIS

"(...) era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora, eu queria ser trapezista. Minha paixão era o trapézio. Me atirar lá do alto na certeza de que alguém, lá em baixo, seguraria minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo, mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo, quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos... Aquela gente encantada que chegava e seguia... Era disso que eu tinha medo: do que não ficava para sempre." [Antônio Bivar]


Sempre chega o momento em que se deve decidir entre dar as costas para o trapézio ou atirar-se em suas emoções, mesmo que incertas... Ainda que a pessoa adiante possa, por alguma obra do destino, em algum instante, não te segurar fazendo com que toda aquela emoção acabe em dor.
Essa decisão se baseia em como se lida com o medo. Nada mais eficiente para ajudar nessas decisões que a crença em algo. Há quem acredite no fim e quem acredite no começo... Assim existem os que sempre ficam (por medo) e os que sempre seguem (apesar do medo).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Não sei dizer...
E me calo.
Nossos silêncios, intensos, dizem o mesmo?

domingo, 28 de dezembro de 2008

ANO

Mal o tempo passa e o ano já vai. De uma memória tão nítida como a dos acontecimentos de meses atrás, me lembro sentada diante de um computador escrevendo por aqui, numa tarde longe desta e durante outro expediente. Na época exercia meu primeiro estágio e tinha muitos desejos urgentes. Urgentíssimos. Entrou o ano e tratei de realiza-los todos.
Dei muitos adeuses em 2008. Mas foram as boas-vindas que fizeram a diferença. Foram meses de renovações e coragem, de libertações e experimentações, realizações e descobertas. Foi um ano de reinvenção. Foram tempos de viagens e sonhos.

Esse ano que chega me parece ser mais claro, bruto e plano. É como se fosse a vez de levar as coisas adiante... Ter mais seriedade. Mergulhar mais no trabalho, nos estudos, nessas seções mais secas da vida. E acho que posso levar isso com destreza e poesia... Acho que finalmente vou saber conciliar as coisas. Ao menos meu instinto me faz crer nisso.

Bom, já se vai mais este ano... Mais um que me maravilhou com a vida. Mais um que vem me trazendo esperanças e sonhos, medo e coragem.

sábado, 27 de dezembro de 2008

CTHULHU

"A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido."
[H.P. Lovecraft]

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

DOS PRAZERES DE VIAJAR II

A CHEGADA
São tantas e de todos os modos possíveis. A última me trouxe um coração batendo forte apesar do cansaço. A fila interminável da alfândega e depois os vários minutos frente à esteira esperando minha bagagem material aparecer. Nesses momentos se sente a chegada em sua forma mais bruta. A partir dali, não há previsão para mais nada.

OS ENCONTROS
O objetivo principal das viagens. Não é sempre que há alguém esperando no saguão de desembarque... Mas quando há é incrível! Desta vez tive aquela saudosa amiga cheia de coisas para me ensinar e dona de um abraço reconfortante e acolhedor para meu cansaço e solidão. Depois, o encontro com os desconhecidos, a cidade estrangeira e o idioma alheio... Começa o encontro com quem sou e com o que quero descobrir...
O NOVO
Não há nada mais eficiente para entrar em contato com o nove que as viagens. Nomes de ruas indígenas, o trânsito quase anárquico, a comida apimentada, os rostos diferentes... Tudo denuncia: você está em um novo país... Aqui você conhece menos coisas que uma criança.
Volto a ser criança quando viajo. Tudo é curioso. Para tudo há uma dúvida, uma pergunta, um espanto! Tudo me encanta. São as descobertas... De tudo e de mim mesma.

EU...

"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
[...]
Sou talvez a visão que
Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!"
(Florbela Espanca)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

DOS PRAZERES DE VIAJAR


A Partida
Dias antes de partir sou cheia de lágrimas, medos, esperanças, desconhecimento... À flor da pele!
O dia finalmente chega e me torno toda preparada para o que vier. Nenhuma lágrima, um meio sorriso e uma invasão completa de concentração, coragem e liberdade.

O Caminho
Adoro voar. Passar pelas nuvens e enfim estar acima delas. Gosto de ir na janela para voltar os olhos para fora e ter minha viagem particular. Alcanço a paz naquele vazio leve do azul que revela suas pequenas nuances desconhecidas. Gosto, inclusive, da pressão nos ouvidos e preparações para decolar e aterrizar.

O Porto
Me sinto bem em aeroportos. O umbigo das partidas e chegadas da vida. Encontros e despedidas. Todas aquelas pessoas se lançando a novos lugares ou retornando ao lar...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Não tenhamos pressa. Mas não percamos tempo." José Saramago

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE

"Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas..."

[Mário Quintana]

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto".

[Fernando Pessoa]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Hoje acordei radical.
Não quero uma cerveja, quero todas!!
Desejo minhas dezenas de amigos ao mesmo tempo
e todos os sentimentos numa só dose.
Hoje não me venham com minúcias,
mesquinharias, conta-gotas
só quero enchentes,
avalanches de tudo
cada espaço preenchido.
Se couber o silêncio,
que seja denso,
pesado, tenso
insuportavelmente inebriador...
Não me venham com metades,
"abraços curtos para não sufocar"...
Quero perder o ar
depois aspirá-lo
até sentir o limite dos pulmões.
Não quero medir palavras
nem "a altura do tombo".
Quero tudo, sem medida.
A medida é ela toda.