BOLERO RADICAL
- Ele não me ligou, Julio...
- E vc vai ligar?
- ... Não! Vc acha que eu devo ligar?
Julio nega com a cabeça.
- Ele que tem que ligar, oras... E se.. ele estiver pensando a mesma coisa??... Mas ele não está pensando, né...
- Ele não me ligou, Julio...
- E vc vai ligar?
- ... Não! Vc acha que eu devo ligar?
Julio nega com a cabeça.
- Ele que tem que ligar, oras... E se.. ele estiver pensando a mesma coisa??... Mas ele não está pensando, né...
"Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!"
"Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safira,
Soa no ar uma invisível lira…
O sol é um doente a enlanguescer…
A vaga estende os braços a suster,
Numa dor de revolta cheia de ira,
A doirada cabeça que delira
Num último suspiro, a estremecer!
O sol morreu…e veste luto o mar…
E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,
À flor das ondas, num lençol de espuma.
As minhas Ilusões, doce tesoiro,
Também as vi levar em uma urna de oiro,
No mar da Vida, assim…uma por uma…"
[Florbela Espanca]
Descobri que tenho sido uma desiquilibrada. Uma fanática e obssessiva. Uma fora de mim. Fantasiosa. A louca.
Eu me perdi na queda livre. Quase me parti. Quando nada mais se encaixou nos sentidos, suspendi.
O próximo passo é correr.
Até chegar ao fim. Quando recuperar o fôlego, sentir a energia viva para recomeçar. E a cada novo passo, possa ultrapassar todas as dimensões passadas.
"A fome quando vem não dialoga
não faz yoga, não dança balé
A fome quando vem afoga
Não afaga, enfraquece a fé
A fome quando vem assola
Não brinca de roda nem faz cafuné
Não quer saber qual é a moda
Não se importa nem arreda o pé
Quando eu vejo você vem a fome
Bater na por lá de casa
Querendo saber
O que é que tem pra comer
Quem me olha, ignora
a panela vazia
Cheia de saudade
A verdade se encontra
Em cima da mesa
E o sol escorre através da peneira
A fome sem medida
A fome sem saída
Fome cega pra te ver
Fome do homem que é pura fome de viver"
"Se acaso estás distante de mim
Só penso em te buscar
O tempo fica horas sem fim
A me martirizar
A minha sinfonia de amor
Sofre uma pausa de dor
A natureza fica parada
Só penso em ti, mais nada
Meu sofrimento na tua ausência
Faz de um segundo horas mortais
Minha alegria esquece as horas
Se junto a mim tu estás"
"Eu não me canso de correr
Pra ver você chegar
Largo tudo lá pra trás
Pra ver você chegar
Eu me desdobro em outras dez
Pra ver você chegar
Eu nem sei do que sou capaz
Pra ver você chegar
Sou tua fã, te admiro e deixo transparecer
O meu afã em cada suspiro
E não sei o que dizer
Mas quero crer que um artifício
Faça desaparecer
A distãncia entre nós pode ser um tom de voz, um beijo
Ela pode ser mínima
Como a que separa a boca da buchecha
Pode ser cósmica como a que separa o que eu quero do que você deixa!"