terça-feira, 28 de março de 2017
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
ONDA EM MIM
Tenho uma onda em mim,
que cresce para quando chegar,
Varrer tudo o que não for forte
para ficar
Ou o que não for leve
para emergir.
SINAIS DE DENTRO
SONHEI CONTIGO
Like the color blue
I feel like de color blue. Indeed. I do. But I'd never understand why the common sense see this color like something sad. For me, the blue is so sweet, soft... like an inner happiness. I'm blue... and it means I'm so happy and grateful to be alive. Thanks blue sky, blue sea, blue flowers and birds, blue world! That's the color of life. Stop saying it's sad. You know nothing. Blue kisses.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
PAREDES FALSAS
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
AMOR-ALVORADA
Eu não quero precisar de você para conseguir dormir tranquilamente,
Nem necessitar do seu impulso para acordar.
Não quero que você seja a única razão de eu providenciar algo interessante para o jantar,
Nem que o fato de ficar nua na sua frente seja a pressão para voltar à academia.
Não quero precisar de você para nada que tenha algo de claramente útil.
Até mesmo as utilidades subjetivas são indignas demais para o que quero viver contigo.
Pois não quero que sejas o responsável por apaziguar minhas carências,
Nem por preencher esse vazio insustentável que por vezes me tira o equilíbrio.
Não quero precisar de você para saber que sou merecedora de atenção,
Nem para me sentir desejada e em paz comigo mesma.
Não quero que você seja rotina, coisa comum em meus primeiros e últimos pensamentos,
Nem que a expectativa de te ter seja alcançada previsivelmente.
Eu quero que você seja a exceção dos meus dias,
Aquela presença excepcional que inspira novidades.
Quero que você ajude a compor alvoradas na minha vida:
aquela impermanência de cores, sol brilhante de calor ameno,
passarinhos que escutamos sem ver e que nos surpreendem
em vôos entrelaçados antes de sumirem de vista.
Eu quero que você sustente incondicionalidades que quero despertar em mim.
Eu quero saber sustentar incondicionalidades que me despertam para você.
Evitei dizer até aqui, mas tudo o que quero sentir por você é amor.
E isso me amedronta porque se eu sentir amor, vou querer ser amada.
Eu só aprendi a amar se minhas necessidades fossem satisfeitas.
Com toda a cortesia dos romances: declarações, comidinhas, flores,
elogios, desejo, dedicação, prioridade, presença.
Mas, por você, quero amar incondicionalmente.
Com toda a sutileza do espírito: liberdade, interseções, afinidades,
energia, elevação, eternidade, gratidão, ligação.
Eu quero amar assim porque ao experimentar o infinito dos seus olhos,
ou ao fechar os meus em sua presença,
intuo a Verdade e me sublimo.
Nosso encontro me enaltece tanto,
tanto que quero me desfazer de tudo o que prende,
de tudo o que condiciona o ser e as relações.
Mas, e se apenas ao pretender o alcance de um amor incondicional
eu já estiver condicionando?!
E se eu não souber satisfazer todas as minhas necessidades sozinha
e precisar de você para me trazer segurança?
E se eu precisar de você para dizer com frequência que me ama,
que me quer, que sou linda, que ocupo seus pensamentos?
E se eu precisar de você para me abraçar sem contenções de força e de tempo,
e me beijar longamente cheio de tesão sempre que tiver a chance?
E se eu precisar de você para desaguar todo o amor denso que produzo dentro de mim
e que posso não saber canalizar para outro canto... Você vai se sufocar?
E se eu precisar de você para me acompanhar em muitos do vários planos que tenho
de viagens e experiências estranhas... Você vai se pressionar?
E se eu precisar de você para me ajudar a não subestimar minhas necessidades
e entender que ainda tenho muito o que aprender... Você vai se decepcionar?
Eu não quero precisar de você.
Mas e se eu precisar?
Idealizo... Mas será que você vai me amar de algum jeito que eu sinta?
E será que o amor que eu te der será suficiente?
Vai sobrar?
Vai faltar?
Idealizo exaltações,
mas logo me deparo com as profundezas terrenas:
Assim como o pássaro que carrega a âncora,
gravados em minha perna;
assim como o ser dividido entre o quaternário
e a tríade superior.
...
Amar assim me deixa tão vulnerável...
You're so fucking special...
But I'm a creep.
terça-feira, 28 de julho de 2015
IN
sexta-feira, 12 de junho de 2015
LEMBRA
Poeminha que me lembra um grande amor dessa vida.
"Sobre cada lugar se sobrepõe
a experiência do lugar
como um selo num cartão-postal
Por exemplo hoje
sempre que sobrevoo São Paulo
penso que em algum apartamento
desta cidade interminável
você fumando de óculos
exerce seu direito inalienável
de não mais pensar em mim"
[Ana Martins Marques. Da arte das armadilhas.]
sábado, 6 de junho de 2015
Nowhere. Now here.
Faz uma semana que entrei em meu novo lar. Um pequeno apartamento de um quarto, encontrado depois de muitas buscas. Entrei aqui cheia de sentimentos irradiantes, daqueles que nos alcançam quando nos deparamos com a liberdade diante de nós e reparamos como ela é linda e perigosa.
Até então, eu tinha surfado mais em sua beleza... mas hoje estou passeando pelos abismos que a liberdade proporciona. Eu tinha imaginado esses momentos antes de sair da zona onde estava desconfortavelmente acomodada... E foi a imaginação de instantes como esse que me fez pensar muitas vezes se valia a pena arriscar. "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", disse Pessoa. Como sentia ter uma alma grande, mas oprimida numa situação que perdeu o sentido, resolvi abrir mão do que eu tinha.
Eu perdi a companhia de cama que me permitia dormir tranquilamente no escuro - eu tenho medo de dormir sozinha à noite com a luz acesa... com a luz apagada é impossível. Ninguém mais vai me acordar para coisa alguma. Seja para ir ao parque caminhar, ou para cumprir com alguma responsabilidade, ou para providenciar algo para comer e beber depois de uma noite de bebedeira.
Eu ganhei a chance de acordar quando e como bem entender. Ganhei a oportunidade de lidar com meus medos... e isso não tem sido um total desastre a partir do ponto de vista que estou sobrevivendo hehe. Mas simplesmente não tenho conseguido dormir antes das 4h da manhã. Tentei acordar cedo, mesmo tendo dormido pouco. Mas a verdade é que virei uma zumbi cafeinada, então preferi voltar a ser apenas uma notívaga, por enquanto. Eu ganhei também a oportunidade de planejar meus dias como eu bem quisesse. E é estranho quando temos o poder todo em nossas mãos, isso também dá medo.
Bom, a verdade é que personifico a corajosa, enquanto sou uma cheia de medos. Agora que escrevi, isso até faz sentido! O que mais eu poderia ser diante de tantos temores e fraquezas? Só sendo corajosa para viver. Já diria Guimarães Rosa: "o que ela [a vida] quer da gente é coragem".
Eu perdi muitas outras coisas, momentos, situações, status, dinâmica, rotina... perdi tudo o que não era somente meu. Me restou somente o que é meu e eu ainda não conheço a real dimensão disso. Acho que a missão de agora em diante é descobrir, escavar meu mundo interior e colocar as coisas no lugar. É um trabalho eterno, certamente, mas agora é como se fosse um novo começo. Agora, estou vendo toda essa bagunça onde consigo enxergar algumas coisas, imaginar outras e onde me perco e, no desespero, procuro uma saída, olhando para trás.
Escrever é como me centrar novamente, voltar aos eixos da razão e das emoções. E eu fiz isso tão pouco nos últimos tempos... Estava ocupada vivendo, sentindo, e não me preocupei em esclarecer, colocar as coisas em seus lugares. Isso foi um erro. Mas aquele tempo foi muito bom sim. Foi lindo, memorável, um amor sem precedentes (agora estou eu de novo com os olhos marejados). Chegamos às últimas consequências. Isso, um amor levado às últimas consequências. Sou muito, muito grata. E me entristeço porque acabou, não porque não tenho mais. Aquilo não existe mais, simples. Teve começo, meio e fim. E, apesar das coisas na vida serem assim, é impossível passar ilesa.
Acho que me concentrei tanto no lado positivo dessa mudança, que convenci a todos e quase me convenci, que tudo estava lindo. Só notei que as coisas não iam tão bem assim quando percebi que estava tomando banho raramente, que meu cabelo estava um lixo de oleoso, usava as mesmas roupas sempre, minha alimentação estava uma porcaria, minha cara cheia de espinhas, as unhas, sobrancelhas e depilação por fazer. Dai, para completar, dormi e sonhei que chorava até molhar meu apartamento todo. É, vi que não estava fácil. Bom, parte disso ainda é realidade, mas acho que começamos a mudar as coisas depois que percebemos.
Interessante que eu ainda me espanto como a vida é um grande ciclo cheio de pequenos ciclos. De repente tudo estava no auge: apartamento encontrado, burocracias vencidas, a pós-graduação tão desejada que iniciou, o êxito no contato rotineiro com minha espiritualidade, pequenas realizações cotidianas como ir ao parque sozinha para deitar na toalha e ler um livro procrastinado, ou conseguir minar a vergonha de falar em público. Foi só notar que tudo estava indo para o infinito e além bem rápido que as coisas deram uma decaída. C'est la vie... ou "that's the way life goes", frase que minha "mãe" italiana-canadense deixou gravada em minha memória.
Enfim, isso tudo faz apenas uma semana, ou um pouco mais que isso. Mal posso esperar pelos próximos tempos. Venha o que precisar. Enquanto isso, vou aproveitar cada oportunidade para crescer. É um momento único para mim. Agora sou a Marina avulsa. E tenho a missão de permanecer assim por um bom tempo, resistindo às tentações de amar e me envolver com alguém de maneira tão profunda que faça nossas vidas se confundirem na mesma engrenagem que, de repente, pára de funcionar porque eu perdi meu "timing".
Agora, "alis volat propiis".
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Por mais de um mês
Desejo insistente de liberdade. Pelo menos é o nome que dei para o que busco diariamente em meus sonhos acordados. Historinhas que surgem na mente em momentos de ócio ou quando me perco na paisagem que passa na janela do carro. Surgem e martelam, não me largam. Serão fantasias do ego ou mensagens do subconsciente? Sinais da intuição?
Por isso o choro
Eu costumava chorar com mais facilidade. Era um momento quase diário. Não falo de depressões, dos dias obscuros como poços úmidos, frios e fétidos. Mas de passados lúcidos em que eu confrontava meus sentimentos com mais naturalidade. Por isso o choro.
Acho que endureci. Temo levar as coisas de forma pífia demais.
Post de 2011 também. Um rascunho que resolvi publicar pela surpresa. Realmente o choro esteve raro. Mas nos últimos dias é uma constância. Vale a publicação.
O VIZINHO
segunda-feira, 25 de março de 2013
Volto a escrever neste blog como quem volta a si. Apesar de te-la escrito, acho um tanto pretenciosa esta primeira frase. Depois de tanta inconstância, não deveria me arriscar a afirmar ladainhas. Voltar a mim, como assim? Até parece que de agora em diante tudo será diferente, como tantas vezes bradei por aqui. Não resolvi meus conflitos; não tenho os dois pés no chão. E ainda não sei como lidar com isso. Na verdade, agora, não sei nem se preciso lidar. Começo a achar que é tudo uma questão mudar a dinâmica.
Meu lance agora é a luz. As perguntas em busca de afirmações... uma constante afirmação de si, renovável. Foco na velocidade do ciclo, para que os altos e baixos da vida passem tão rápido e nos deixe de resultado o equilíbrio.
A promoção do equilíbrio acontece quando deparamos a luz e a sombra de nós mesmos e fazemos surgir desta relação a essência da nossa verdade mais pura para a nossa metamorfose. Na relação entre luz e sombra, no entanto, deve se estabelecer uma troca, uma conexão entre suas energias, entre o que há de substancial/ orgânico/ subconsciente/ vibracional dos nossos pólos.Ou seja, é necessária uma sabedoria sensorial para que o equilíbrio dos nossos lados ocorra.
E é neste ponto que estou. No início da experiência de girar a vida pelos meus atos... e a busca pela essência das minhas vontades é a principal engrenagem para atingir o centro.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
SOBRE AMANHECER I
Não sei dizer se foi a situação ou nós que variamos em cada uma dessas vezes. Mas sei que o sentido de tudo aquilo foi o mesmo desde o começo. Diversificou-se a cada repetição. Multiplicou-se. Dividiu-se e somou-se.
domingo, 19 de junho de 2011
BOLERO RADICAL
- Ele não me ligou, Julio...
- E vc vai ligar?
- ... Não! Vc acha que eu devo ligar?
Julio nega com a cabeça.
- Ele que tem que ligar, oras... E se.. ele estiver pensando a mesma coisa??... Mas ele não está pensando, né...
sexta-feira, 3 de junho de 2011
NÓS
Para libertar é preciso reprimir o desejo de repressão. Não sei quanto aos outros, mas às vezes me pego dominada pela vontade do poder da imposição. "Você VAI fazer isso porque EU quero, ou se não...".
É difícil conviver e ao mesmo tempo nos libertar dos outros. Viver sua liberdade até onde começa a do próximo. Pois queremos extender, ter o controle sobre a nossa vida e também sobre todas as outras vidas convergentes à nossa. Porque não queremos que nos machuque. Queremos nossas vontades pelo outro satisfeitas, nossas carências apaziguadas até o limite, à nossa maneira. Porque não sabemos ser felizes machucados, insatisfeitos, carentes... Queremos correr riscos com margens de segurança. No entanto, essa margem é um tanto sutil, pois é baseada na fragilidade da confiança.
A confiança no externo, no outro, talvez nunca chegue a ser sólida. Mas a autoconfiança, não. Essa pode ser uma rocha. Quando não a temos firme, buscamos a do outro. Imploramos, exigimos, mendigamos, para ouvirmos "você pode confiar em mim, você é tudo". Ok, não serei tão dura. Todos temos momentos fracos e é confortante ouvir isso de alguém que admiramos. Mas há outra linha tênue entre um momento de necessidade e a dependência.
Quando não há o controle de si sobre si, não se faz escolhas. Não há rumos. não há meta. direção. vitória. conclusão. Liberdade é ter o controle sobre si; e a paz da consciência de não poder controlar o alheio.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
SOMENTE SÓ
Tínhamos em comum apenas a solidão. Fazia parte da dele uma garrafa de cerveja... deve ter comprado num quiosque do parque. Sua roupa não combinava com uma tarde de domingo. Tão social e formal. Seja como for, ela não importava mais. Não ligou em sujar de terra a calça clara. Deve ter chegado de alguma obrigação.
Eu também não me importava. Meu mundo era apenas a música nos ouvidos e o ardente pôr-do-sol que acontecia. Não tinha a intenção de contemplá-lo hoje, quando sai de casa. Eu só queria correr, suar, respirar. Mas não hesitei em ficar quando vi o céu tão brilhante.
Ainda muitas pessoas conservam o costume bucólico de parar e esperar o tempo do crepúsculo. No local, havia famílias e casais, vários casais. Talvez por isso a chegada dele tenha me chamado a atenção. Não que a pluralidade dos outros me ofendesse, mas constatei que minha solidão não era solitária.
Solidão a gente até pode compartilhar. Não foi o caso, claro. Isso a gente divide com quem suporta o nosso silêncio. Com o dono dos olhos que sabemos encarar com conforto. Ou por quem nos sabemos olhados mesmo sem ver. Solidão compartilhada com estranhos geralmente é tão constrangedora que deixa de ser solidão.
Éramos dois sozinhos na solidão. Estranhos, incomuns, ninguéns. Mas soubemos que a solidão não era um privilégio ou um fardo exclusivo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
OU NÃO.
Acostumar, no entanto, não é estagnar, se submeter, render. Não é ignorar. Pode até ser se acomodar, afinal, é preciso um pouco disso; de uma certa paz, um momento de conforto.
Seria alcançar uma convivência saudável... O que não significa buscar um meio termo para o todo. Ninguém merece uma vida morna.
Acostumar é conseguir focar nos melhores termos. Assim, amansamos as dores e vivemos as emoções com o furor que cada uma demanda.
Acostumar depende de atitudes constantes. Pois a inércia é um costume da não-vida. É submissão. Aceitar empurrar pedras montanha acima e eternamente vê-las rolar montanha abaixo. Não se acostumar é viver num inferno grego. É infrutífero.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
FOGO
Chegou aos vinte e poucos sem nunca ter gostado de comer alguma mulher. Duvidou da própria masculinidade, pensou que era bicha. Até cogitou experimentar outra fruta... Mas se endurecia todo com qualquer bunda em pé que passasse, com toda voz feminina que sussurrasse em seu ouvido ou com um toque mais delicado em sua nuca. Por homem não sentia essas coisas carnais, de instinto e arrepio.
Por tão poucas tentativas de gostar, não as ousa contabilizar. Decidiu buscar pelo sexo hétero e lento. Ao seu tempo e modo. E fingiu pirofagia sem saber se queimar. Era só fumaça.
Investiu em terreno conhecido e, com cautela, descobria o que havia entre os contornos dos sorrisos, por trás dos cabelos, nos detalhes dos olhos, até por baixo dos panos... Mas demorou para despencar dentro.
Na beira do abismo, quase caindo, hesitou, parou tudo. As coisas aconteciam rápido demais para ele, por mais que demorassem mais que o comum. No entanto, apesar do fogo não ter se apagado, não o deixaria impune. Na ocasião seguinte, a chama o engoliu morno; teve pena de arder o garoto.
Poderia te-lo consumido, e depois deixa-lo voltar das cinzas, devagar como ele. Seria uma lição e tanto sobre brincar com chamas... Mas fogo sabe do seu calor. Fazer-se brando sem promessas foi uma chance sem futuro. Um desafio da mais alta simplicidade, daquele que só encara quem se faz fogo também.
E ele correu, assustado. O medo desfez sua pirofagia de festim. Talvez tenha levado consigo uma brasa... do tamanho que consegue suportar. Enfim, acha que gosta de comer mulher. Mas ele sabe, como o instinto menino o fez saber, que nunca terá convicção se não deixar-se queimar.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
ATO
Depois de esquecer, andou até aonde a música lhe puxou. Suou todas as suas lágrimas. Recompôs-se com a dose dupla de vodka com energético. A primeira foi quase toda para o corpo, literalmente. A segunda foi para a alma, caso houvesse alguma. Tirou a blusa e, do alto, dividiu o público com a dúzia de sedentos ao seu lado.
Conquistou um grupo gay do qual recebeu goles de água especialmente cristalizada. Então suou mais, e desceu mais... até um darkroom. Não havia lugar melhor para confrontar seus demônios do que no escuro, o que guarda seus medos. Delirou.
Quando emergiu, viu que na saída havia luz... Já? Que breve o breu.
Juntou-se, vestiu os óculos escuros, e partiu... Desde então, não foi mais vista.
O desamor encerra o encanto
Estava à procura disto quando desligou o telefone.
De encantar-se...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
À IRA
"Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!"
"Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safira,
Soa no ar uma invisível lira…
O sol é um doente a enlanguescer…
A vaga estende os braços a suster,
Numa dor de revolta cheia de ira,
A doirada cabeça que delira
Num último suspiro, a estremecer!
O sol morreu…e veste luto o mar…
E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,
À flor das ondas, num lençol de espuma.
As minhas Ilusões, doce tesoiro,
Também as vi levar em uma urna de oiro,
No mar da Vida, assim…uma por uma…"
[Florbela Espanca]
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
OLHOS FECHADOS
Descobri que tenho sido uma desiquilibrada. Uma fanática e obssessiva. Uma fora de mim. Fantasiosa. A louca.
Eu me perdi na queda livre. Quase me parti. Quando nada mais se encaixou nos sentidos, suspendi.
Que não dá mais pé?
O que vocês fariam pra sair desta maré?
O que era sonho vira terra"
Tudo parou. Fechei os olhos, encobri a visão do coração com pureza. E pude começar a ver.
Em breve, quem sabe, poderei abrir os olhos e seguir com a simplicidade de nada ansiar. Estar em paz por ser amor da cabeça aos pés. Plena e dona de mim.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me restasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo..."




